Maria Joaquina Flores tem 85 anos, mas há muito que o tempo deixou de ser medida para aquilo que é capaz de fazer.
Começou a correr aos 50. Primeiro por acaso e quase por insistência. Umas voltas na pista, enquanto esperava pelo irmão. Depois mais uma. E outra. Até que um dia começou e nunca mais parou.
Hoje corre como quem conhece cada caminho de cor. Da Herdade da Apostiça aos inúmeros trilhos do concelho do Seixal, percorre quilómetros que já fazem parte de si. Como se o corpo e o coração soubessem o caminho de olhos fechados.
Ao longo dos anos somou vitórias, medalhas, recordes. Nacionais e mundiais. Já correu muito. Correu pelo mundo. Correu em dias seguidos, em provas sobrepostas, em manhãs sem dormir. Correu com dor. Correu contra o tempo. E ganhou. Ganhou muitas, muitas vezes.
Mas há uma força maior que atravessa tudo isso: a memória de quem sempre a apoiou e lhe deu força para continuar a correr. O “queridinho maridinho”, como carinhosamente lhe chama, companheiro de uma vida, com um casamento de 63 anos, que sempre acreditou, apoiou e registou cada passo seu. E que Maria Joaquina Flores sente, com todas as suas forças, que ainda hoje a acompanha em cada passo e em cada corrida.
“Maria de Portugal”, como é conhecida lá fora, e “Marquinhas”, como é chamada pela família, corre para viver. Corre para sentir. Corre porque parar nunca fez parte da sua história.
Porque, no fundo, correr nunca foi só correr. Foi descobrir que nunca é tarde para começar e que há caminhos que só se revelam a quem decide dar o primeiro passo. E é essa vida cheia de movimento e vontade de viver que define bem Maria Joaquina Flores.
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